Está em exposição às reproduções das obras do artista plástico sergipano Arthur Bispo do Rosário que foram produzidas para o filme ‘O Senhor do Labirinto’, rodado em Sergipe no ano passado. Doadas ao Banese, algumas das obras cenográficas do filme sobre a vida de Bispo do Rosário podem ser vistas no Centro de Arte e Cultura J. Inácio, na Orla de Atalaia, onde ficarão expostas até depois do carnaval. O espaço está aberto à visitação pública diariamente, das 9h às 21h.
A mostra reúne peças como ‘Estandartes’, o ‘Manto da Apresentação’ e ‘A Roda da Fortuna’, algumas das obras mais importantes de Bispo do Rosário. Segundo o curador da exposição, o cineasta Sérgio Silveira, além dessa promoção no Centro de Arte e Cultura J. Inácio, o Banese vai levar mostras das réplicas a Laranjeiras e Japaratuba e promoverá também exposições itinerantes das peças em várias agências do banco na capital e no interior do Estado.
O filme ‘O Senhor do Labirinto’ será lançado até o final deste ano, quando se comemora o centenário de nascimento de Bispo do Rosário. O filme, que terá cerca de 90 minutos de duração, foi patrocinado pelo Governo de Sergipe, através do Banese e da Secretaria de Estado da Comunicação Social.
O sergipano Arthur Bispo do Rosário (1909 - 1989) é uma figura singular na história das artes plásticas brasileiras. Diagnosticado “esquizofrênico-paranóico”, produziu peças a partir de objetos descartados pela sociedade.
Nascido em Japaratuba, município de Sergipe, passou por instituições psiquiátricas do Rio de Janeiro, Bispo viveu muito a vida antes de ingressar na Colônia Juliano Moreira - um hospital para doentes mentais. Foi marinheiro, viajou muito, viu muitas cores, formas, seqüências, classificações e ordenações de fatos e coisas referentes ao seu universo normativo e cumulativo, mais tarde refletido em seu trabalho plástico - conceitual criado à beira de sua loucura. Também foi porteiro, guarda-costas e pugilista, tendo chegado a campeão latino-americano da categoria peso-leve.
De 1938 até 1989, quando morreu. Arthur Bispo do Rosário produziu mais de 800 objetos, bordados e estandartes atualmente reconhecidos em todo o mundo como de grande valor artístico e cultural.
Bispo traz à tona uma polêmica discussão sobre a arte brasileira. A análise de sua produção traz o que sempre esteve ausente do circuito artístico brasileiro: a arte sem nenhuma condescendência do povo, distante do artesanato e rigorosamente afim do circuito restrito dos criadores. Bispo é dos que nunca vão à museus, galerias, bienais, semelhante à maioria da população do país. Seu trabalho tem o mesmo instinto paleolítico da caverna de Chauvet*. Mas acima de tudo é despretensioso, ricamente detalhado, belo e alegre nas composições e precursor das instalações aqui no Brasil.
* Caverna onde a arte nasceu, localizada no sudoeste da França, onde se encontra um complexo de desenhos, pinturas e gravuras da idade do gelo, descoberta em 18 de dezembro de 1994, por Jean-Marie Chauvet.