segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Reproduções das obras de Arthur Bispo do Rosário em exposição

Está em exposição às reproduções das obras do artista plástico sergipano Arthur Bispo do Rosário que foram produzidas para o filme ‘O Senhor do Labirinto’, rodado em Sergipe no ano passado. Doadas ao Banese, algumas das obras cenográficas do filme sobre a vida de Bispo do Rosário podem ser vistas no Centro de Arte e Cultura J. Inácio, na Orla de Atalaia, onde ficarão expostas até depois do carnaval. O espaço está aberto à visitação pública diariamente, das 9h às 21h.
A mostra reúne peças como ‘Estandartes’, o ‘Manto da Apresentação’ e ‘A Roda da Fortuna’, algumas das obras mais importantes de Bispo do Rosário. Segundo o curador da exposição, o cineasta Sérgio Silveira, além dessa promoção no Centro de Arte e Cultura J. Inácio, o Banese vai levar mostras das réplicas a Laranjeiras e Japaratuba e promoverá também exposições itinerantes das peças em várias agências do banco na capital e no interior do Estado.

O filme ‘O Senhor do Labirinto’ será lançado até o final deste ano, quando se comemora o centenário de nascimento de Bispo do Rosário. O filme, que terá cerca de 90 minutos de duração, foi patrocinado pelo Governo de Sergipe, através do Banese e da Secretaria de Estado da Comunicação Social.

O sergipano Arthur Bispo do Rosário (1909 - 1989) é uma figura singular na história das artes plásticas brasileiras. Diagnosticado “esquizofrênico-paranóico”, produziu peças a partir de objetos descartados pela sociedade.
Nascido em Japaratuba, município de Sergipe, passou por instituições psiquiátricas do Rio de Janeiro, Bispo viveu muito a vida antes de ingressar na Colônia Juliano Moreira - um hospital para doentes mentais. Foi marinheiro, viajou muito, viu muitas cores, formas, seqüências, classificações e ordenações de fatos e coisas referentes ao seu universo normativo e cumulativo, mais tarde refletido em seu trabalho plástico - conceitual criado à beira de sua loucura. Também foi porteiro, guarda-costas e pugilista, tendo chegado a campeão latino-americano da categoria peso-leve.
De 1938 até 1989, quando morreu. Arthur Bispo do Rosário produziu mais de 800 objetos, bordados e estandartes atualmente reconhecidos em todo o mundo como de grande valor artístico e cultural.
Bispo traz à tona uma polêmica discussão sobre a arte brasileira. A análise de sua produção traz o que sempre esteve ausente do circuito artístico brasileiro: a arte sem nenhuma condescendência do povo, distante do artesanato e rigorosamente afim do circuito restrito dos criadores. Bispo é dos que nunca vão à museus, galerias, bienais, semelhante à maioria da população do país. Seu trabalho tem o mesmo instinto paleolítico da caverna de Chauvet*. Mas acima de tudo é despretensioso, ricamente detalhado, belo e alegre nas composições e precursor das instalações aqui no Brasil.

* Caverna onde a arte nasceu, localizada no sudoeste da França, onde se encontra um complexo de desenhos, pinturas e gravuras da idade do gelo, descoberta em 18 de dezembro de 1994, por Jean-Marie Chauvet.

0 comentários: